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Ex-CEO da TAP fala finalmente sobre o que acha do futuro da empresa

Em entrevista a Publituris, o ex-CEO da companhia aérea TAP, Antonoaldo Neves, diz que empresa precisa de uma escala miníma para sobreviver e discorda da redução das rotas e da frota. Segundo ele, as novas aeronaves tem uma grande rentabilidade e eficiência.

Por Vitor Jorge.

Olhando, de fora, para um universo que conhece ou conheceu bem – TAP – como analisa essa sua “velha conhecida?
Quando chegámos à gestão da TAP, a companhia estava muito endividada. A dívida era 10 vezes o EBITDA da companhia. Antes da pandemia estávamos com um sistema de alavancagem da TAP, tendo reduzido o endividamento da empresa de forma drástica, para cerca de 4 vezes o EBITDA. A empresa estava bem e, como é público, antes da COVID tínhamos uma proposta firme da Lufthansa para investir na TAP. Por isso, a companhia estava saudável.

Acha que essa proposta da Lufthansa se mantém?
Não sei, não tenho acompanhado bem essa matéria. Sei que o nosso processo negocial com a Lufthansa demorou cerca de um ano e ninguém sabia. Mas penso que ainda é possível no futuro, depende muito da TAP. O impacto da pandemia em todas as companhias aéreas foi muito grande e acredito que a TAP vai recuperar, tem aeronaves muito boas. Se pensar bem, a TAP hoje é uma TAP completamente diferente daquela que existia no passado. Vi a rentabilidade das aeronaves e é extraordinária.

Mas é sabido que a TAP vai reduzir frota. Isso vai refletir-se nalgumas rotas?
O modelo da TAP precisa de uma escala mínima. Sem ela, a TAP não terá sucesso. Em 2019, estávamos ainda abaixo do que acreditávamos ser a escala adequada para a TAP. Uma TAP com menos escala, mais pequena, precisa de outro modelo. Não consigo imaginar que modelo será esse. O que sei é que a TAP, em 2019, estava destinada a crescer. É preciso recordar que o aeroporto de Lisboa estava congestionado e a forma como a TAP ia crescer era pelo tamanho dos aviões. Havia crescimento contratado para a TAP e o modelo escolhido para a TAP precisava de escala.

Mas escala precisa de aeronaves e rotas?
Precisa de aeronaves, rotas, pilotos, mecânicos, comerciais. E precisa ter foco. Outra questão passa por ter “slots” no aeroporto e por defender esses “slots”, ter um grupo de pilotos treinado e pronto para voar e, fundamentalmente, crescer. Ou então, pensar, parar e partir para outro modelo. Pode ser que exista outro modelo. Não estudei outro modelo, mas não duvido que possa existir.

Mas na atual realidade não terá de se pensar noutro modelo?
Pode até ser, mas há que acreditar, igualmente, que o aeroporto cresça. Estamos há anos a falar do aeroporto sem nada acontecer.

Mas o aeroporto terá de crescer ou o aeroporto terá de nascer?
A médio prazo tem de nascer, mas para já tem de crescer. Sempre disse que o foco tem de ser na ampliação da capacidade do atual aeroporto de Lisboa, que tem muito espaço para crescer.

Mas faz sentido fazer crescer o atual aeroporto ou construir um novo?
Discutir um novo aeroporto, sem primeiro resolver o problema da Portela, é uma perda de tempo. A pergunta que sempre fiz enquanto estive na TAP foi: o que vamos fazer pela Portela? É como ter um filho que já nasceu e só querer falar de um filho que ainda não nasceu. Não nos podemos esquecer que o aeroporto da Portela é dos piores aeroportos da Europa, não mudou nada. Nos últimos 18 meses continua exatamente igual.

Concorda, por isso, com quem afirme que esta paragem, devido à pandemia, deveria ter sido aproveitada para se ter feito algo no atual aeroporto, já que, quando o turismo regressar, vamos ter problemas?
Sim, sem dúvida. A Portela já estava no seu limite. Lembro-me que estava definido não realizarmos voos charters porque não havia espaço na Portela. As pessoas têm memória curta.

Não sei o que foi feito neste período, mas espero que tenha sido feito muita coisa.

Fonte: Publituris

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