ENOTURISMO

Priceless oferece vinhos naturais e convencionais de produtores diferenciados

O Priceless, complexo gastronômico da Mastercard localizado no charmoso edifício Alexandre Mackenzie, no rooftop do Shopping Light, centro histórico de São Paulo, oferece ao público uma carta de vinhos diferenciada, na qual cerca de 50% dos rótulos são de vinhos nacionais e os outros 50% de vinhos de outras partes do mundo. A escolha das bebidas foi feita pela sommelière Andrea Vilas Boas, que se preocupou também em harmonizar com o menu oferecido tanto no bar Abaru, quanto no restaurante fine dining Notiê.

Andrea se especializou em vinhos de baixa intervenção, especialmente brasileiros, e tem como foco os pequenos produtores nacionais e importadoras especializadas. A sommelière explica a diferença entre a classificação dos vinhos: “Os vinhos convencionais são produzidos em larga escala e podem contar com um processo de vinificação mais intervencionista, porém não podemos dizer que todos são assim. Há vinhos convencionais produzidos de maneira bastante respeitosa, em menor escala e com menos intervenção; por isso é sempre importante pesquisar e ler sobre a vinícola e quem está por trás do rótulo”, explica a profissional sobre sua estratégia para selecionar também os vinhos convencionais no Priceless.

Já os vinhos classificados como naturais ou de baixa intervenção são aqueles, como o próprio nome sugere, elaborados sem ou com pouca adição de insumos enológicos e, na maioria das vezes, sem o emprego de leveduras selecionadas e sim com as nativas das próprias cascas das uvas: “Os vinhos naturais são feitos a partir de um processo ancestral de vinificação, sem a utilização de aditivos em suas produções. É simplesmente uma bebida alcoólica resultante da fermentação espontânea das uvas e de manejos artesanais conduzidos pelos produtores”, explica. O cultivo e a colheita dessas uvas também são diferenciados: “As uvas utilizadas geralmente enquadram-se como orgânicas ou, até mesmo, biodinâmicas. Isso significa que a agricultura evita ou não utiliza por completo defensivos agrícolas e fertilizantes sintéticos. Já na colheita, e nas etapas posteriores, é priorizado o processo manual, tudo para a qualidade do produto final”, conclui.

Harmonizações que não têm preço

No Priceless é possível encontrar rótulos nacionais que têm se destacado no mercado. Andrea destaca o vinho Salarina, do Vinhedo Serena, que é produzido em Nova Pádua, no Rio Grande do Sul: “A uva Salarina é uma casta ancestral, praticamente extinta, que deve ter chegado aqui no Brasil em torno de 1750, original dos Açores e Madeira. Um vinho branco encorpado, com destacada acidez e paladar único. O nome remete a resistência da casta a maresia, umidade e ambiente hostil. Além disso, hoje se tem registro desta cepa apenas aqui no Brasil, com o Vinhedo Serena, e nos Açores, com o produtor António Maçanita, levando lá o nome de Verdelho Açoreano.

Outro vinho bem interessante e que tem agradado o público é o rótulo alemão Heinz Pfaffmann Riesling Feinherb, elaborado com uvas cultivadas em vinhedos orgânicos. Em taça sua coloração é bem clarinha e no nariz ele apresenta aromas frutados e cítricos, que lembram maçãs verdes. “Em boca, ele surpreende! Um vinho leve e cheio de frescor. Além de ser um exemplar muito gastronômico, que, pela sua classificação ‘Feinherb’ ou ‘off-dry’, apresenta um mínimo de residual de açúcar, que combinado com sua acidez belíssima, é capaz de harmonizar diferentes preparos e tipos de comida”, explica Andrea ao destacar que ambos os rótulos são servidos na harmonização do menu do restaurante Notiê: “Temos uma variedade de rótulos bem interessante e seleta, alguns deles têm menos de 400 garrafas produzidas. A ideia é possibilitar uma imersão em vinhos que contam histórias e proporcionam uma experiência inédita. Por isso, há um custo-benefício bem interessante no valor do harmonizado, porque dá a possibilidade de provar rótulos que dificilmente você encontrará em qualquer lugar e para ter uma imersão completa no menu. Para o menu de 5 tempos são 3 vinhos diferentes, para o de 10 tempos são 5 vinhos diferentes e 1 sidra e para o de 14 tempos são 8 vinhos diferentes e 1 sidra”.
 

No bar e restaurante Abaru o destaque vai para os espumantes, onde há rótulos que abrangem métodos ancestrais e tradicionais, o que pode agradar tanto um público que quer provar novos sabores e experiências, mas também quem quer ficar nos clássicos: “Temos alguns espumantes versáteis para harmonizações como a variedade de rótulos da Família Geisse, como o Cave Amadeu Brut Branco ou Rosé, que acompanham tantos os pratos mais frescos quanto aqueles com maior complexidade. Assim como o Vallontano Nature LH Zanini. Mas temos também os Pét-Nats, que são espumantes com maior presença da levedura em nariz e boca, jovens e refrescantes. A dica para quem não conhece é começar pelo Vivente Pét-Nat rosé ou pelo Casa Viccas Pet-nat Glera”, conclui Andrea.

Foto: Divulgação

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