BLOG DO MOZART LUNA

Omissão de todos contribuiu para tragédia causada pela exploração de sal-gema, matéria da década de 90 já denuncia o problema.

O drama que vive hoje Maceió foi uma tragédia anunciada na década de 90, quando ainda éramos estudantes de jornalismo com uma matéria no saudoso Jornal O Diário, onde colhemos informações a ambientalistas que tive a oportunidade de entrevistar. O alerta foi dado inclusive por especialistas internacionais dos perigos que Maceió sofre com a exploração de sal-gema. Cavernas enormes se formaram embaixo da cidade com perigo inclusive da movimentação das águas da Lagoa de Mundau, sobre a qual ainda não foi realizada avaliação do impacto da movimentação do solo  que existe no fundo.

Tragédias vividas hoje por milhares de famílias poderiam ser evitadas, se os governos ouvissem os ambientalistas e levasse em conta os alertas realizados através de poucos jornalistas como Denis Agra, Freitas Neto e Anivaldo Miranda. Hoje vivemos momentos de medo, porque não sabemos o que realmente vai ocorrer e a lentidão das autoridades e o oportunismo de políticos gananciosas.

O drama dos moradores de todos os bairros em volta das minas de sal-gema já deveria ter sido retirados há mais de 2 anos e por falta de uma posição firma das autoridades na defesa dos mais humildes, hoje uma grande tragédia está prestes a ocorrer. A omissão das autoridades que deveriam ter cobrado o apoio à população também é um crime. A dor na consciência dessas autoridades será levada para toda vida e cobrada, quando estiver frente a frente do o Criador. Parte imprensa também se calou, ou “alivou” o problema. Todos pagarão cada centil. Se tem uma justiça que não falha é a de Deus.

Abaixo na integra a matéria publicada realizada por mil há 20 anos e publicada no extinto jornal O Diário.

” A FÁBRICA DA BRASKEM EM MACEIÓ É A MESMA DE BHOPAL NA ÍNDIA ONDE MORRERAM OITO MIL PESSOAS.


Por Mozart Luna.

A planta da fábrica da Braskem em Maceió é a mesma que funciona em Bhopal na Índia e lá ocorreu um das maiores tragédias com indústrias químicas no mundo. Quando na época que a antiga Salgema se implantou em Maceió, no setor urbano que enfrentou o alerta dos ambientalistas, que tinham a frente jornalista Anivaldo Miranda, Freitas Neto, Selma Bandeira, Eduardo Bonfim, Denis Agra, Ronaldo Lessa e tantos outros. 

O Sindicato dos Jornalistas foi uma das entidades que mais combateu a implantação da industria da Salgema, no Pontal da Barra.
A instalação da Salgema tinha sido realizada por imposição do regime militar, que tinha como presidente da Republica o general Ernesto Geisel e o governador Divaldo Suruagy. 

Os técnicos apontavam para localização errada e perigosa da Salgema e os prejuízos que ela poderia causar a população de Maceió, Marechal Deodoro, Barra de São Miguel e Pilar.

Valeu a força do regime militar e além da fábrica foi construído um porto artificial na praia do Pontal da Barra, o único porto particular do Brasil. O general Ernesto Gesiel, depois que saiu da presidência assumiu a superintendência da Salgema, num claro ato de oportunismo. 

Lembro-me ainda que a industria para fazer calar o clamor dos ambientalista e o erro da instalação da fábrica em área urbana, calou a imprensa. Bancou ações “sociais”e como rolo compresso calou a mídia. Em Bhopal foram 8 mil vítimas fatais.

Paralelamente a tudo isso outro alerto foi realizado pelos ambientalistas o aviso de que os grandes buracos que estão sendo formados no subsolo da cidade de Maceió, com a retirada do salgema, seria utilizado para deposito de lixo radioativo. Pelo menos até hoje isso não foi feito, mas existe dentro dos planos da empresa “vender” esses espaços vazios para colocar material radioativo.

Na madrugada entre dois e três de dezembro de 1984, 40 toneladas de gases letais vazaram da fábrica de agrotóxicos da Union Carbide Corporation, em Bhopal, Índia. Foi o maior desastre químico da história. Gases tóxicos como o isocianato de metila e o hidrocianeto escaparam de um tanque durante operações de rotina. 

Os precários dispositivos de segurança que deveriam evitar desastres como esse apresentavam problemas ou estavam desligados.

Estima-se que três dias após o desastre 8 mil pessoas já tinham morrido devido à exposição direta aos gases. A Union Carbide se negou a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, e, como
conseqüência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente os indivíduos expostos.

Mesmo hoje os sobreviventes do desastre e as agências de saúde da Índia ainda não conseguiram obter da Union Carbide e de seu novo dono, a Dow Química, informações sobre a composição dos gases que vazaram e seus efeitos na saúde.

Infelizmente, a noite do desastre foi apenas o início de uma longa tragédia, cujos efeitos se estendem até hoje. A]Union Carbide, dona da fábrica de agrotóxicos na época do vazamento dos gases, abandonou a área, deixando para trás uma grande quantidade de venenos perigosos. A empresa tentou se livrar da responsabilidade pelas mortes provocadas pelo desastre, pagando ao governo da Índia uma indenização irrisória face a gravidade da contaminação.

Hoje, bem mais de 150.000 sobreviventes com doenças crônicas ainda necessitam de cuidados médicos, e uma segunda geração de crianças continua a sofrer os efeitos da herança tóxica deixada pela indústria.

Foto ilustrativa sobre as gigantes cavernas que ficam no subsolo depois da extração da sal-gema

O Desastre. 

Na noite do desastre, as seis medidas de segurança criadas para impedir vazamentos de gás fracassaram, seja por apresentarem falhas no funcionamento, por estarem desligadas ou por serem ineficientes. Além disso, a sirene de segurança, que deveria alertar a comunidade em casos de acidente, estava desligada.

Os gases provocaram queimaduras nos tecidos dos olhos e dos pulmões, atravessaram as correntes sangüíneas e danificaram praticamente todos os sistemas do corpo. Muitas pessoas morreram dormindo; outras saíram cambaleando de suas casas, cegas e sufocadas, para morrer no meio da rua. 

Outras morreram muito depois de chegarem aos hospitais e prontos-socorros. Os primeiros efeitos agudos dos gases tóxicos no organismo foram vômitos e sensações de queimadura nos olhos, nariz e garganta, e grande parte das mortes foi atribuída a insuficiência respiratória. 

Em alguns casos, o gás tóxico causou secreções internas tão graves que seus pulmões ficaram obstruídos; em outros, as vias aéreas se fecharam levando à sufocação. Muitos dos que sobreviveram ao primeiro dia foram diagnosticados com problemas respiratórios. 

Estudos posteriores com os sobreviventes também apontaram sintomas neurológicos, como dores de cabeça, distúrbios do equilíbrio, depressão, fadiga e irritabilidade, além de danos nos sistemas músculo-esquelético, reprodutivo e imunológico”.

Cumprimos nosso dever como profissionais de jornalismo, faltou que desse eco as providências, mas nem por isso recuamos de nosso compromisso e continuamos denunciando dos crimes ambientais cometidos.

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