A economia mundial do desporto atingirá receitas anuais de 3,7 biliões de dólares em 2030 e 8,8 biliões em 2050, consolidando-se como um dos grandes motores do crescimento económico e social. O setor, que atualmente gera 2,3 biliões de dólares por ano, deverá crescer 10% nos próximos cinco anos, assente em quatro grandes pilares: a expansão do turismo desportivo, a consolidação do desporto como classe de ativos, a aceleração do desporto feminino e o desenvolvimento desportivo em mercados emergentes, conforme consta do novo relatório Sports for People and Planet, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, com o apoio da consultora estratégica Oliver Wyman.
A Oliver Wyman e o Fórum Econômico Mundial identificam quatro grandes motores de expansão que sustentam um potencial de crescimento significativo no setor. O turismo desportivo lidera este crescimento, representando 60% do aumento total das receitas do setor até 2030. Em 2025, concentrou 10% das despesas mundiais em viagens, registando uma taxa de crescimento anual de 28% desde 2020, muito superior aos 22% do setor turístico no seu conjunto. Esta tendência deverá manter-se, com um crescimento anual projetado de 17,5% até 2030. Alguns exemplos são a Maratona de Nova Iorque, que atraiu, em 2024, mais de 17 mil corredores internacionais de 137 países, ou eventos como o UltraSwim 33.3, na Croácia, ou a Marathon des Sables, em Marrocos, cujas inscrições esgotam em poucos minutos.
A consolidação do desporto como classe de ativos global atingiu níveis sem precedentes, com mais de mil operações globais concluídas em 2021 e transações emblemáticas, como a avaliação de 10 mil milhões de dólares dos Los Angeles Lakers em 2025 (o valor mais elevado da história do desporto norte-americano), enquanto o desporto profissional feminino apresenta um crescimento notável. A receita projetada deverá atingir 2,35 mil milhões de dólares em 2025, mais do que o triplo do valor registado em 2022.
Finalmente, os mercados emergentes consolidam-se como potentes motores de crescimento. A América Latina, a África e o Médio Oriente registam as maiores taxas de crescimento no mercado de artigos desportivos, com previsões de aumentos anuais de dois dígitos na próxima década. A Índia acelera os seus compromissos de investimento para 130 mil milhões de dólares até 2030, enquanto a China emitiu, em 2025, novas diretrizes para financiar projetos desportivos através de instrumentos de longo prazo, em apoio ao seu objetivo de atingir 985 mil milhões de dólares em 2030. Paralelamente, os fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos investem diretamente em propriedades desportivas globais.
No entanto, o estudo também alerta para o fato de a inatividade física e os crescentes riscos climáticos e ambientais poderem reduzir em até 14% as receitas anuais do setor, o que representaria um total de 517 mil milhões de dólares até 2030, valor que poderia subir para 1,6 biliões de dólares em 2050, caso não sejam adotadas medidas multissetoriais coordenadas.
A falta de tempo, as limitações econômicas, as instalações inadequadas e as condições climáticas adversas continuam a ser os principais obstáculos à prática desportiva. As disparidades na participação limitam o potencial de crescimento do setor. Por exemplo, as mulheres e as raparigas representam apenas 37% dos praticantes desportivos na União Europeia, 40% nos Estados Unidos e 45% no Canadá.
Por sua vez, os riscos ambientais associados às alterações climáticas representam também uma ameaça operacional e financeira crescente. Mais de 90% dos direitos de retransmissão e 76% das receitas de patrocínio no desporto profissional estão ligados a atividades ao ar livre. A título de exemplo, no Reino Unido, as condições meteorológicas adversas geram aproximadamente 320 milhões de libras por ano em perdas de receitas e custos de manutenção.
Por outro lado, ondas de calor, inundações e tempestades obrigam ao cancelamento de eventos e à reprogramação de calendários, prejudicando as vendas de ingressos, reduzindo o valor das transmissões e aumentando os prémios de seguros.
Por último, o próprio setor contribui para a pressão ambiental, uma vez que as principais indústrias do desporto geram entre 400 e 450 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, um valor comparável às emissões das grandes economias industrializadas.
Face às ameaças identificadas, a Oliver Wyman e o Fórum Económico Mundial propõem três vias multissetoriais para impulsionar a mudança e transformar esses riscos em oportunidades de inovação e crescimento sustentável. A primeira via consiste em liderar a gestão de recursos para reforçar a resiliência empresarial, seguindo-se a necessidade de integrar a atividade física no planeamento urbano sustentável, valorizar os espaços verdes como ativos desportivos que prestam serviços ecossistémicos críticos e desenvolver infraestruturas que priorizem o bem-estar comunitário e a resiliência climática. Por fim, o relatório propõe mobilizar investimentos com propósito, através de parcerias público-privadas-filantrópicas e de patrocínios orientados para o impacto social e ambiental.



