A IATA fez 4.700 entrevistas em fevereiro a pessoas que viajaram nos últimos 11 meses e concluiu que existe uma confiança crescente no retorno às viagens aéreas, frustrações com as atuais restrições e aceitação de uma app para gerir certificados de saúde.
O inquérito, realizado online em 11 mercados entre 15 e 23 de fevereiro, mostra que 57% dos inquiridos esperam viajar dentro de dois meses após a contenção da pandemia, o que significa uma melhoria face aos 49% que revelaram a mesma intenção no inquérito realizado em setembro de 2020.
Por outro lado, 72% dos inquiridos querem viajar para ver a família e amigos o mais rapidamente possível, um aumento face aos 63% de setembro.
Os resultados sobre as tendências futuras de viagens revelam que 81% dos inquiridos acreditam que terão mais probabilidade de viajar assim que forem vacinados.
A IATA destaca ainda que 56% dos inquiridos acreditam que irão adiar as viagens até que a economia estabilize, o que revela uma melhoria face aos 65% de setembro.
A conclusão da IATA é que “as pessoas estão a ficar mais confiantes para viajar”, mas existem alguns “ventos contrários”, com 84% dos entrevistados a responder que não viajarão se houver possibilidade de quarentena no destino.
Por outro lado, há indícios de que a retoma das viagens de negócios levará tempo, com 62% dos entrevistados a revelar que provavelmente viajarão menos em negócios, mesmo após a contenção da pandemia. Este indicador, porém, representa uma melhoria significativa em relação aos 72% registados em setembro.
“As pessoas querem voltar a viajar, mas a quarentena é o obstáculo”, afirmou Alexandre de Juniac, diretor-geral e CEO da IATA. “À medida que a capacidade e a tecnologia de teste melhoram e a população vacinada aumenta, as condições para a remoção das medidas de quarentena estão a ser criadas. E isso aponta-nos novamente para trabalhar com os governos para uma reabertura bem planeada assim que as condições permitirem”.
Sobre as restrições às viagens, o inquérito da IATA revelou que 85% dos inquiridos acreditam que os governos devem definir metas sobre a covid-19, como a capacidade de realizar testes ou a distribuição de vacinas com vista à reabertura das fronteiras.
Ao abrir as fronteiras, 88% das pessoas acreditam que deve ser encontrado um equilíbrio certo entre a gestão dos riscos da covid-19 e a retoma da economia.
Por outro lado, 84% dos entrevistados acreditam que a covid-19 não vai desaparecer e “precisamos de gerir os seus riscos enquanto vivemos e viajamos normalmente”.
Os resultados mostram ainda que 68% dos entrevistados concordam que a sua qualidade de vida sofreu com as restrições de viagens e 49% acreditam que as restrições às viagens aéreas foram longe demais.
Quase 40% dos entrevistados revelaram stress mental e perda de um importante momento de contato humano devido às restrições às viagens, e mais de um terço disse que as restrições os impedem de fazer negócios normalmente.
“A principal prioridade de todos neste momento é permanecer em segurança durante a crise da covid-19”, disse Alexandre de Juniac, considerando, contudo, “importante mapearmos uma forma de reabrir fronteiras, gerir riscos e permitir que as pessoas continuem com suas vidas”, o que “inclui a liberdade de viajar”.
Os resultados do inquérito da IATA também mostram que 89% dos entrevistados acreditam que os governos devem criar um padrão comum para os certificados de vacinação e de testes, e que 80% são encorajados pela perspectiva da app IATA Travel Pass, mas 78% só usará se tiver controlo total sobre os seus dados.
Com o IATA Travel Pass, “os passageiros mantêm todos os dados nos seus dispositivos móveis e têm controlo total sobre para onde esses dados vão”, destacou o CEO da IATA, sublinhando que “não existe um banco de dados central”.
Alexandre de Juniac acrescentou que o desenvolvimento da app fez um bom progresso, mas ainda aguarda padrões globais para os certificados de vacinas e de testes. “Só com os padrões globais e os governos a aceitá-los podemos maximizar a eficiência e oferecer uma experiência de viagem ideal”. A IATA integra 290 companhias aéreas que representam 82% do tráfego aéreo a nível global.



