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TAP é estratégica para Portugal e Brasil e presidente português cobra “clarificação” dos candidatos

O debate sobre o futuro da TAP é intenso nos bastidores políticos, que está dividido entre os que entendem a importância estratégica da empresa para economia de Portugal e os que são contra. Os que mais contestam a ajuda à TAP  são integrantes de outras empresas aéreas concorrentes e vem no tratamento diferenciado, privilégios no uso de recursos públicos e da ajuda da União Europeia. O assunto também interessa ao Brasil, já que a TAP é a companhia que mais transporta passageiros internacionais de e para o Brasil e o aeroporto de Lisboa é um hub estratégico para a entrada de mercadorias brasileiras para Europa.

O assunto foi pauta em uma plenária de um dos eventos mais importantes em Portugal, o 46º Congresso da Associação Portuguesa de Agentes de Viagens e Turismo (APAVT), que ocorreu mês passado em Aveiro e reuniu mais de 700 empresários de turismo. Entre os presentes estão, além dos representantes da TAP e outras companhias aéreas concorrentes, o presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que se posicionou totalmente favorável a ajudar a companhia portuguesa, que agora é controlada pelo Governo.

“Sou daqueles que pensam que sonhar com um hub forte em Portugal implica apostar na reforma da TAP e significa a viabilização, não há alternativa”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa na abertura do 46º Congresso da APAVT, a decorrer em Aveiro, com cerca de 700 participantes inscritos.

“A alternativa mirífica de esperar que venha ao mercado à saída da crise pandémica, do céu, de uma galáxia diferente, de outros países, salvar uma situação que decorreria da extinção da TAP – como que quer que fosse a extinção – substituindo o seu papel em aspectos fundamentais em termos internos e de ligação externa num país de diáspora, isso é esperar o impossível”, frisou o Presidente da República de Portugal. “Há parcerias que se fazem e que se podem fazer”, disse ele, mas essas parcerias supõem que haja um parceiro português e “esse parceiro português nacional chama-se TAP”.

Eleições e a TAP

O presidente de Portugal cobrou também a importância dos candidatos às eleições legislativas de 30 de Janeiro se posicionarem claramente sobre a TAP e sobre a expansão aeroportuária na região de Lisboa, “para não haver surpresas”.

“Clarificar em primeiro lugar como é importante haver uma decisão sobre o aeroporto [de Lisboa], para não haver os ‘avança e recua’ de acordo com questões conjunturais meramente táticas. O país não suporta esse taticismo”, alertou ele.

Marcelo Rebelo de Sousa insistiu que seja tomada uma decisão sobre o aeroporto em 2022, reforçando que gostaria de ver o resultado dessa decisão antes do fim do seu segundo mandato. “É bom que aqueles que se propõem governar o país digam o que pensam sobre o futuro da TAP”, como também, acrescenta, “parece muito justa a questão levantada [pelo presidente da APAVT] do papel da SATA no que respeita à Região Autónoma dos Açores e, portanto, de Portugal”.

Novas rotas e rigor na administração

O presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, também falou da importância estratégia da TAP para Portugal e segundo ele “se não for através da TAP” o turismo português não tem capacidade para responder ao seu principal desafio, que “é o desenvolvimento dos mercados longínquos, que nos trarão mais território turístico e menos sazonalidade”. As novas rotas abertas pela TAP, ainda na gestão do brasileiro Antonoaldo Neves, para o Brasil são também estratégicas.

“Precisamos de união e sentido de estratégia, também porque teremos de nos preocupar com a defesa do hub aéreo em Lisboa, e isso não parece possível sem a manutenção de uma TAP com dimensão”, disse Pedro Costa Ferreira.

Contra e os favoráveis a TAP

O país está “dividido entre quem sustenta o apoio estatal à TAP e quem o combate”, mas a APAVT, segundo o seu presidente, não se revê “nesta simplicidade de análise”.

Desde logo, começou por justificar, “porque o principal desafio do turismo português é o desenvolvimento dos mercados longínquos, que nos trarão mais território turístico e menos sazonalidade” e “não cremos que tenhamos êxito nesta tarefa, se não mantivermos o hub, bem como não acreditamos que consigamos manter o hub se não for através da TAP”.

Por outras palavras, questionou Pedro Costa Ferreira, “o que é mais caro? Apoiar a TAP, ou regredir dez anos no sector turístico, com todas as implicações para a economia nacional?”.

Por outro lado, apoiar a TAP não é isentá-la da necessidade de gestão rigorosa e resultados positivos, procurando que o apoio seja o menor possível, pelo menor período de tempo possível”, ressaltou o presidente da APAVT.

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