OPINIÃO

No Senado, Renan Calheiros cria grupo de trabalho para acompanhar investigações do Banco Master

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), instituiu um grupo de trabalho para acompanhar as investigações relacionadas ao Banco Master. A iniciativa foi formalizada por meio de instrução normativa e ocorre em meio às apurações conduzidas pela Polícia Federal, além de medidas adotadas pelo Banco Central e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O colegiado foi criado no âmbito da CAE e terá como atribuições monitorar o andamento das investigações, solicitar informações a órgãos públicos e convocar autoridades e representantes envolvidos para prestar esclarecimentos. O grupo também poderá elaborar relatórios e apresentar propostas legislativas relacionadas à fiscalização do sistema financeiro.

Integram o grupo os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Leila Barros (PDT-DF) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), reunindo parlamentares de diferentes partidos e campos políticos.

Apesar da atuação fiscalizatória, o grupo não tem status de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Com isso, não possui prerrogativas como a quebra de sigilos bancário, fiscal ou telefônico, atuando dentro das competências regimentais da Comissão de Assuntos Econômicos.

O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou repercussão nacional após investigações apontarem irregularidades na gestão da instituição, incluindo suspeitas de fraudes, operações fora das normas do sistema financeiro nacional e riscos relevantes para investidores e correntistas. Diante da gravidade do cenário, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco, apontando incapacidade da instituição de manter suas operações e honrar compromissos.

Além das apurações da Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União também analisa possíveis falhas na fiscalização e na atuação de órgãos reguladores. Pela dimensão econômica do caso e pelo impacto sobre a confiança no sistema financeiro, o episódio passou a ser tratado como um dos mais relevantes do setor nos últimos anos.

Em Maceió, os desdobramentos do caso atingem diretamente o setor público. O Iprev — Instituto de Previdência dos Servidores da Prefeitura deverá absorver perdas financeiras relevantes após ter aplicado recursos no Banco Master. A situação expõe erros nos critérios adotados na gestão dos investimentos previdenciários e lança incertezas sobre o patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores municipais, ampliando a pressão por esclarecimentos e medidas de responsabilização.

A criação do grupo ocorre em um momento de forte cobrança por respostas do Congresso, diante do impacto potencial do caso sobre investidores, correntistas, entes públicos e sobre a credibilidade do sistema financeiro. Nesse contexto, parlamentares e analistas avaliam que a opção por um grupo de trabalho, em vez da instalação imediata de uma CPI, busca organizar o acompanhamento das investigações, reunir informações técnicas e assegurar uma atuação institucional coordenada em um cenário considerado sensível.

Nos bastidores do Senado, a avaliação é de que o colegiado funciona como um instrumento inicial de monitoramento, permitindo maior diálogo com órgãos de controle e a sistematização de dados relevantes. Ao mesmo tempo, seguem em discussão iniciativas para a criação de uma CPMI, o que indica que o Congresso mantém diferentes caminhos de atuação abertos, a depender do avanço das apurações.

Ao liderar a iniciativa, Renan Calheiros reforça o papel da Comissão de Assuntos Econômicos como espaço central para o debate de temas de grande impacto econômico e institucional. A CAE tem competência regimental para tratar de assuntos ligados ao sistema financeiro, à política monetária e à fiscalização econômica, o que confere base formal ao grupo de trabalho instituído.

Parlamentares avaliam que a efetividade do colegiado estará ligada à capacidade de articulação política e técnica de seus integrantes e ao diálogo com as instituições responsáveis pelas investigações. Mesmo sem os poderes de uma CPI, a expectativa é que os trabalhos do grupo contribuam para qualificar o debate no Senado, subsidiar decisões futuras e apontar eventuais ajustes na legislação e nos mecanismos de supervisão do sistema financeiro.

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