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Saúde, educação e desemprego são os principais problemas nos países de língua portuguesa, aponta o primeiro Barómetro da Lusofonia

Felipe Eduardo Varela – https://www.publico.pt/

Saúde (53%), educação (43%) e desemprego (34%) concentram os principais problemas dos países de língua portuguesa, na visão dos seus cidadãos. Os dados são do Barómetro da Lusofonia, que será divulgado oficialmente na quarta-feira, dia 28 de janeiro, a partir das 14h30, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no centro de Lisboa. O estudo inédito foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (Ipespe), com sede em São Paulo, no Brasil.

Coordenado pelo cientista político Antonio Lavareda, o primeiro Barómetro da Lusofonia apresentará as perceções dos cidadãos de cada país sobre 25 indicadores, que vão compor um retrato da lusofonia contemporânea. Segundo o especialista brasileiro, em quase todos os países pesquisados, a saúde constitui uma preocupação relevante, com percentuais que frequentemente se aproximam ou superam a metade dos respondentes.

Em Portugal, a saúde também ocupa a primeira posição, com 55% de citações. A principal exceção é Moçambique, onde apenas 28% destacam essa área. De acordo com o especialista brasileiro Antonio Lavareda, o Barómetro da Lusofonia mostra que as preocupações centrais dos cidadãos se ancoram na qualidade dos serviços públicos e nas condições de inserção econômica. Em um segundo patamar, aparecem temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento básico.

Desemprego

Na contramão dos demais países da Comunidade, os portugueses não demonstram preocupação significativa com o desemprego, mencionado por apenas 9%. A inflação também aparece com baixa frequência, embora a economia em geral desperte inquietação para 22% dos entrevistados.

A principal exceção é Moçambique, onde apenas 28% destacam essa área. Entre os angolanos, a configuração segue a tendência geral com educação (53%), saúde (48%) e desemprego (45%) no topo do ranking, mas com peso significativamente maior de educação e desemprego em comparação à média dos países. A inflação aparece em quarto lugar e assume relevância particularmente elevada, correspondendo ao dobro da média geral.

Na Guiné-Bissau, os percentuais atribuídos a saúde e educação são excepcionalmente altos: 85% apontam saúde e 78% educação como principais desafios. Trata-se dos maiores índices registrados para qualquer problema entre os países analisados, sinalizando carências agudas em áreas essenciais de provisão pública.

No Timor-Leste, a percepção de problemas se distribui em múltiplas frentes críticas, com cerca de seis em cada dez entrevistados citando saúde (59%), educação (59%) e desemprego (58%). Em Moçambique, é a educação que lidera o ranking de preocupações (35%). No entanto, o conjunto se completa com desemprego (21%), inflação e economia em geral. Indicando que as questões econômicas, tomadas em conjunto, constituem o eixo central das inquietações no país.

Violência

Para os brasileiros, os principais problemas do país, no momento de realização da primeira edição do Barómetro, são saúde (45%), violência (40%) e educação (35%). Vale observar que, após a chamada megaoperação policial contra facções criminosas, conduzida pelo governo do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha no final de outubro de 2025, o tema da segurança ganhou maior centralidade no debate público nacional. Não é improvável que os 8% registrados no Brasil para política, guerras ou conflitos armados tenham relação com esse tema.

Em Cabo Verde, a violência apresenta peso semelhante ao observado no Brasil, com 47% de menções, mas fica atrás da saúde (55%) e, sobretudo, do desemprego (60%), que lidera entre as preocupações neste país. Inflação e aumento dos preços recebem 25% das menções, segundo maior percentual para esse item entre os oito países.

Raio-X de cada país

O cientista político Antonio Lavareda afirma que, nesta primeira edição do Barómetro da Lusofonia observa-se uma expressiva variação na hierarquia dos problemas apontados entre os países individualmente. “Esse combo de preocupações ajuda a explicar o rigor com que a situação presente dos países é avaliada. E, ao mesmo tempo iluminam o conteúdo das expectativas em relação ao futuro: o otimismo registrado em diversos países parece menos associado a uma percepção de conforto atual e mais à esperança de avanços concretos nessas áreas prioritárias, especialmente na ampliação do acesso a serviços, na geração de empregos e na melhoria das condições de vida”, avalia o diretor do Ipespe.

O relatório completo trará indicadores sobre Saúde; Educação; Desemprego; Violência; Inflação ou aumento de preços; Água, energia elétrica e saneamento; Corrupção; Infraestrutura, como estradas e transportes; Desigualdade social e pobreza; Economia; Instabilidade política, guerras e conflitos armados; Imigrantes; Habitação; Desastres ambientais; Situação das mulheres; Discriminação contra a comunidade LGBTQIA+; Racismo; Justiça; Acesso à internet; Falta de incentivo para a agricultura; Cultura; Baixos salários; Outras menções abaixo de 1%; Nenhum e Não Sabe/Não Respondeu (NS/NR). Os dados são estratificados por idade e escolaridade em cada um dos oito países. O especialista brasileiro Antonio Lavareda comenta que o nível de instrução é a variável que produz as maiores clivagens na percepção dos problemas.

Foto:  RUI GAUDÊNCIO

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