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Aeroportos europeus movimentaram mais 100 milhões de passageiros na comparação a 2024

Os aeroportos europeus acolheram mais 100 milhões de passageiros adicionais em 2025, com o tráfego a crescer 4,4% em termos homólogos, estabelecendo um novo recorde de 2,6 mil milhões de passageiros, apesar das pressões econômicas e geopolíticas, revelam os dados do mais recente relatório da ACI Europe.

Os aeroportos fora da União Europeia (UE) superaram a média europeia, com os volumes de passageiros a crescerem 6,2%, face a +4% nos aeroportos da EU, indicando a ACI Europe na comunicação que faz que “tal deve-se sobretudo à maior maturidade do mercado UE+ e à propensão muito mais baixa para viajar nos mercados não UE”.

Embora muitos aeroportos europeus tenham batido recordes de tráfego de passageiros, 41% terminaram o ano ainda abaixo dos níveis pré-pandemia (2019), mantendo-se variações significativas no desempenho do tráfego. “Isto reflete uma maior volatilidade da procura, a dominância e consolidação das companhias aéreas, bem como uma renovada pressão concorrencial sobre os aeroportos”, aponta a ACI Europe.

Mercado aeroportuário pan-europeu a várias velocidades
No mercado UE, os motores de crescimento em 2025 deslocaram-se progressivamente do sul para o bloco de leste, com aeroportos na Eslováquia (+20,2%), Polónia (+14,4%), Hungria (+11,1%) e Eslovénia (+10,7%) a registarem os melhores desempenhos, a par de Malta (+12,3%) e Chipre (+10,7%).

Entre os maiores mercados UE, os aeroportos do Reino Unido (+1,7%), França (+2,1%) e Alemanha (+3,2%) tiveram um desempenho inferior, em particular devido a regimes fiscais penalizadores. A Alemanha e a França registaram quedas acentuadas no tráfego doméstico face a 2019, respectivamente -48% e -27%.

Os aeroportos de Itália (+4,4%) e Espanha (+3,9%) beneficiaram, em geral, de um enquadramento mais favorável ao nível das condições macroeconómicas e/ou das políticas de aviação.

O tráfego de passageiros diminuiu ou manteve-se estável nos aeroportos da Islândia (-2%), Letónia e Estónia (ambos -0,1%), em parte devido à cessação ou redução de operações por companhias aéreas locais⁴.

Já no mercado não UE, dois fatores continuaram a moldar o desempenho em 2025. A questão geopolítica teve influência, com os aeroportos da Moldávia (+46,8%) a funcionarem como porta de entrada para a diáspora ucraniana, os de Israel (+31,3%) a recuperarem com a melhoria das condições de segurança, e os da Rússia a continuarem em queda (-9,5%). Além disso, a expansão das companhias lowcost, sobretudo nos Balcãs Ocidentais, impactou diversos aeroportos, com destaque para Bósnia e Herzegovina (+22,2%), Macedónia do Norte (+9,5%) e Albânia (+8,7%).

Nos aeroportos da Turquia, um dos principais mercados, o tráfego de passageiros cresceu 5,8%, com os maiores aeroportos do país a registarem um crescimento dinâmico. Já Geórgia (+14,1%) e Uzbequistão (+10,1%) apresentaram os melhores desempenhos na Ásia Central e no Cáucaso.

Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI EUROPE, considera que, “se fosse preciso mais alguma prova, o desempenho do tráfego no ano passado demonstra uma vez mais que a conectividade aérea é um poderoso motor económico, em grande medida resiliente, e cada vez mais interligado com o turismo”.

Para Jankovec, “isto reflete a ascensão do consumo experiencial face ao consumo material, uma mudança estrutural profunda, transversal a gerações, que está a redefinir as nossas economias e para a qual a Europa está particularmente bem posicionada. Isto significa que a aviação é um facilitador crítico da competitividade. No entanto, demasiados governos e decisores políticos continuam a não ligar os pontos e não tratam a aviação como o ativo estratégico que é, especialmente na UE.”

Top 5 aeroportos
O Aeroporto de Londres-Heathrow manteve-se como o aeroporto mais movimentado da Europa em 2025, com 84,48 milhões de passageiros, um aumento de 0,7% face ao ano anterior, graças à operação de aeronaves de maior capacidade num hub com fortes restrições.

Em segundo lugar, Istambul registou um crescimento de 5,5%, ficando apenas 40.000 passageiros abaixo de Heathrow, com um total de 84,44 milhões, indicando os dados que,nos últimos cinco anos, o tráfego no hub turco cresceu quase um quarto.

O aeroporto Paris-Charles de Gaulle manteve a terceira posição, com 72,02 milhões de passageiros (+2,5%). Amesterdão-Schiphol ficou em quarto, com 68,77 milhões (+2,9%), seguido de perto por Madrid, em quinto, com 68,12 milhões e um crescimento de +3%.

Para além do top 5, entre os grandes aeroportos (mais de 40 milhões de passageiros), destaca-se o desempenho de Istambul Sabiha Gökçen, cujo tráfego aumentou 16,7% para 48,41 milhões de passageiros.

Grandes aeroportos com desempenho inferior face a aeroportos médios e pequenos
No geral, os grandes aeroportos tiveram um desempenho inferior aos restantes segmentos em 2025, com um crescimento de 3,5%. Em contraste, os aeroportos médios (10 a 25 milhões de passageiros) e os pequenos aeroportos (menos de 1 milhão de passageiros) apresentaram os melhores resultados, com crescimentos de 5,8% e 6,1%, respetivamente.

Segundo a ACI Europe, este cenário resulta de uma combinação de fatores, incluindo a continuação — ainda que seletiva — da expansão das companhias lowcost para mercados menores e maiores, com elevada rotação de rotas; a retração relativa das companhias de serviço completo nos seus hubs, com forte foco na procura premium e nos rendimentos, além de crescentes limitações de capacidade nos grandes e mega-aeroportos (25 a 40 milhões de passageiros).

No entanto, apesar do desempenho nominal de 2025, os pequenos aeroportos continuam a ser o único segmento que ainda não recuperou os volumes de passageiros pré-pandemia (-33,2% em 2025 face a 2019).

Olhando para 2026, Jankovec admite que o tráfego de passageiros nos aeroportos europeus “deverá continuar a crescer este ano, com uma normalização do ritmo de crescimento em torno dos 3,3%”. Este potencial de subida resulta, segundo o diretor-geral da ACI Europe, “de uma melhoria moderada das perspetivas económicas europeias, enquanto as viagens continuam entre as principais prioridades de despesa discricionária dos consumidores, mesmo com a geopolítica e a geoeconomia a testarem ainda mais a resiliência do setor. Muitos aeroportos beneficiarão também de uma maior propensão dos europeus para viajar dentro da Europa, enquanto o nosso continente continuará a ser um destino de eleição para os não europeus”.

Entretanto, prevê-se que as companhias aéreas europeias apresentem o melhor desempenho financeiro a nível mundial, e que as pressões da cadeia de abastecimento que limitam a capacidade comecem a aliviar. No entanto, conclui Jankovec, “a capacidade das infraestruturas, tanto em terra como no espaço aéreo, continuará a ser um estrangulamento crítico”, frisando “particular preocupação com a implementação total do Sistema de Entrada/Saída de Schengen a partir de abril”.

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