EVENTOS

Primeira edição nordestina do programa Criando Asas inspira jovens em Salvador

Salvador foi palco da primeira edição nordestina do programa Criando Asas, que faz parte do projeto Asas para Todos, iniciativa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que promove inclusão e aproxima crianças e jovens do universo da aviação.  Na oportunidade, 41 estudantes de escolas públicas de Santo Estêvão viveram uma imersão no universo da aviação civil, e muitos tiveram contato com esse mundo pela primeira vez. Durante a visita ao aeroporto, os alunos conheceram de perto diferentes áreas e profissões da aviação, como manutenção de aeronaves, operação aeroportuária e pilotagem. Também experimentaram simuladores de voo e conversaram com profissionais do setor, entendendo, na prática, as possibilidades de carreira. Os estudantes também participaram de um voo panorâmico pela cidade, com vista até o Farol da Barra, uma experiência inesquecível que transformou curiosidade em sonho.  

A estudante do nono ano, da Escola Municipal Dom Pedro I, Maricele Silva, relatou o impacto da vivência no universo da aviação. “Foi minha primeira experiência em um avião e foi simplesmente emocionante”, destacou.  

O aluno de 14 anos, Guilherme dos Anjos, do Colégio Vira Mundos, indicou o quanto a experiência com a aviação foi marcante. Ele se encantou com os simuladores de voo, com a área de manutenção de aeronaves e com o voo panorâmico. Para ele, foi como descobrir um novo universo, que despertou o desejo de enxergar a aviação como um horizonte promissor na escolha de sua futura profissão. 

Realizado no Aeroporto Internacional de Salvador, o evento reuniu autoridades, parceiros institucionais, companhias aéreas além de estudantes e gestores de escolas  do município de Santo Estêvão (BA).  

O diretor da Anac, Antonio Mathias, destacou a escolha da capital baiana para sediar a primeira edição no Nordeste e ressaltou a importância de ampliar o alcance do programa para além do eixo Sul-Sudeste.  

Segundo ele, levar uma ação voltada à diversidade para a Bahia significa “abrir horizontes e oferecer experiências transformadoras” a crianças do interior e da zona rural que nunca tiveram contato com a aviação. 

Já a chefe da Assessoria Técnica da Anac, Ana Motta, chamou atenção para os números que evidenciam os desafios da inclusão na aviação. “Sabemos que a educação transforma realidades, mas 80% dos brasileiros têm rendimento domiciliar inferior a R$ 2.200. E quando falamos de formação, os custos são elevados: cerca de R$ 45 mil para piloto privado e R$ 120 mil para piloto comercial. Esse é o grande desafio que enfrentamos ao trazer mais pessoas para a aviação”, afirmou.  

Ela destacou que, diante desse cenário, iniciativas como o projeto Criando Asas — já realizado em Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e agora em Salvador — são fundamentais para aproximar jovens e grupos sub-representados do universo da aviação civil, ampliando oportunidades em um setor que ainda enfrenta barreiras socioeconômicas significativas. 

Parceiros e incentivadores 

Um dos parceiros da edição do Criando Asas em Salvador, o CEO do Aeroporto Internacional da cidade, Júlio Ribas, relembrou que sua paixão pela aviação começou ainda na infância, ao ler um livro sobre o tema. Inspirado por essa experiência pessoal, ele celebrou a oportunidade de apoiar um programa que tem como missão lançar “sementes” capazes de transformar o futuro das crianças participantes, assim como um simples gesto transformou o seu próprio destino. 

O representante da empresa regional Abaeté, Tiago Tosto, ressaltou que a aviação vai muito além de tecnologia e aeronaves, envolvendo uma ampla rede de profissionais em diferentes funções. Ele destacou que o programa contribui para despertar vocações e formar futuros especialistas em áreas como mecânica e pilotagem.  

A Abaeté foi responsável por proporcionar aos estudantes a experiência de um voo panorâmico do aeroporto até o Farol da Barra, em Salvador, além de um dia de imersão na sede da empresa, onde os jovens puderam conhecer de perto o funcionamento do setor e vivenciar o cotidiano da aviação. 

Representatividade na aviação 

Do setor acadêmico, parceira do projeto, a coordenadora do curso de Ciências Aeronáuticas do Centro Universitário Maurício de Nassau, Laíssa Silva Ribeiro, compartilhou sua trajetória de superação e reforçou a importância de ampliar a presença feminina na aviação. “Mais do que formar profissionais, queremos formar histórias de superação e transformação”, afirmou. 

Pilota e referência acadêmica, Laíssa relembrou os desafios enfrentados para conquistar espaço em um setor historicamente masculino. Filha de um motorista de caminhão e de uma dona de casa, cresceu sem referências na área e precisou se afastar mais de dois mil quilômetros de casa para iniciar sua formação. Aos 19 anos, tornou-se piloto comercial e, aos 20, ingressou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), experiência que fortaleceu seu compromisso em abrir caminhos para novas gerações.  

Também pilota e servidora da Anac, Daniele Silvério da Silva, relatou os desafios de superar barreiras de gênero, sociais e raciais no mundo da aviação. “Como mulher negra, precisei me provar o tempo inteiro, mostrar que eu pertenço a esse universo”, afirmou.  

Apesar das dificuldades financeiras e dos preconceitos, sua paixão pela aviação a impulsionou a vencer os obstáculos. Para Daniele, o programa da Agência é fundamental porque ajuda a derrubar barreiras e oferece oportunidades a quem sonha em voar, mas não dispõe de condições para ingressar no setor. 

 Foto: Magali Morais

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