É o quarto ano consecutivo de lucros. Em 2025, a TAP Air Portugal registou um resultado líquido positivo de EUR 4,1 milhões. O resultado líquido recorrente teria sido EUR 46 milhões caso excluíssemos o impacto da atualização das taxas de IRC.
Num contexto marcado pela incerteza e pressão de custos em toda a indústria, a Companhia reforçou a posição financeira e concluiu os compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia.
As receitas operacionais totalizaram EUR 4 313 milhões em 2025 (+1,2% face a 2024), impulsionadas sobretudo pelas receitas de passagens (+0,8%) e pelo negócio de Manutenção (+10,7%). A capacidade aumentou 3,1% e os RPK cresceram 5,5%, elevando o Load Factor para 84,2% (+1,9 p.p.). A evolução das receitas unitárias refletiu maior concorrência nos principais mercados e efeitos macroeconómicos no mercado norte-americano, com o PRASK a fixar-se em 6,96 cêntimos (-2,3%).
Os custos operacionais recorrentes atingiram EUR 4 070 milhões em 2025 (+3,6%), com aumentos nos custos de tráfego (+6,7%), pessoal (+7,9%) e depreciações e amortizações (+10,8%), parcialmente compensados pela redução dos custos com combustível (-5,4%). O CASK recorrente aumentou 0,5% para 7,36 cêntimos (centavos), enquanto o CASK recorrente excluindo combustível aumentou 3,7% para 5,57 cêntimos.
A TAP registou um EBITDA recorrente de EUR 742,9 milhões (margem de 17,2%) e um EBIT recorrente de EUR 243,4 milhões (margem de 5,6%), num ano marcado por um primeiro trimestre particularmente desafiante.
Conclusão do Plano de Reestruturação
Em 2025, a TAP concluiu o cumprimento os compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia. Bruxelas reconheceu que as medidas operacionais exigidas foram implementadas atempadamente e que a Companhia alcançou resultados que restabelecem a sua viabilidade a longo prazo. Foi igualmente aprovada a extensão do prazo para a alienação das participações na Cateringpor e na SPdH (Sociedade Portuguesa de Handling, S.A.) até 30 de junho de 2026, comprometendo-se a TAP a devolver ao acionista EUR 24,99 milhões no âmbito desta extensão.
Posição financeira
A 31 de dezembro de 2025, a TAP apresentava uma posição de liquidez de EUR 765,3 milhões, um aumento de EUR 113,7 milhões face a 31 de dezembro de 2024, e um rácio dívida financeira líquida/EBITDA de 2,6x.
Perspetivas para 2026
A estratégia da TAP para 2026 assenta num crescimento disciplinado e sustentável, suportado pela expansão e modernização da frota com aeronaves Airbus NEO, reforçando eficiência operacional e sustentabilidade. O crescimento deverá ser impulsionado sobretudo pela rede transatlântica, com destaque para o Brasil, e pela expansão das operações a partir do Porto, incluindo novas rotas e o desenvolvimento de um hub de Manutenção. Em paralelo, a Companhia continuará a investir no produto e na experiência do cliente, incluindo uma nova cabina e melhorias na oferta a bordo.
A resiliência da procura e a dinâmica positiva das reservas deverão suportar Load Factors mais elevados e a melhoria das receitas unitárias, apesar do aumento da capacidade. A evolução dos preços do combustível deverá ser parcialmente mitigada por ajustamentos de pricing alinhados com as tendências de mercado, mantendo-se o foco nos principais mercados e na qualidade da receita.
Luís Rodrigues, CEO da TAP, afirma que “Em 2025, a TAP apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de Manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais. Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da Companhia. Este desempenho suportou um resultado líquido positivo pelo quarto ano consecutivo.
Este ano assinalou igualmente um marco importante para a TAP, com a Comissão Europeia a reconhecer a conclusão dos compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia, confirmando a transformação bem-sucedida da Companhia, e a sua capacidade para assegurar viabilidade a longo prazo e um crescimento equilibrado.
Em 2026, a Comissão Executiva irá acelerar a execução das iniciativas já definidas, com foco claro nas prioridades operacionais. Esse processo será acompanhado pelo início de uma nova fase de crescimento disciplinado e sustentável, com um maior enfoque na expansão transatlântica, nomeadamente com duas novas rotas no Brasil, reforçando a nossa liderança e rede neste mercado, para um total de 15 destinos, dos quais 10 são servidos em exclusivo pela TAP. Adicionalmente, iremos expandir as operações a partir do Porto, com o lançamento de várias novas rotas e com o investimento num novo hub de Manutenção.
Gostaria de agradecer a todas os nossos colegas pelo seu empenho e resiliência, bem como aos nossos stakeholders pelo seu apoio contínuo. A sua dedicação foi fundamental para o desempenho alcançado em 2025 e continuará a ser essencial para este novo capítulo da TAP.”
Análise ao quarto trimestre de 2025 (4T25)
No 4T25, a TAP transportou 4 milhões de passageiros, um aumento de 4,9% face ao quarto trimestre de 2024 (“4T24”), tendo operado aproximadamente 29 mil voos, um aumento de 1,1% face ao período homólogo.
As Receitas Operacionais totalizaram EUR 1 032 milhões no 4T25, um aumento de 3,7% face ao 4T24, impulsionado sobretudo pelo desempenho das receitas de passagens, que aumentaram EUR 32,8 milhões (+3,8%) para EUR 904,7 milhões, suportadas pelo crescimento da capacidade e pelo aumento das receitas unitárias, com o PRASK a aumentar em 0,2% para EUR 6,64 cêntimos.
As receitas de Manutenção aumentaram EUR 6,8 milhões (+9,5%) face ao 4T24, atingindo EUR 77,9 milhões no 4T25, suportadas por níveis de atividade estáveis num contexto de persistentes constrangimentos na cadeia de abastecimento, e por um efeito preço associado ao aumento dos custos de material e a serviços de maior valor acrescentado.
As receitas de Carga e Correio atingiram EUR 36,9 milhões, diminuindo de EUR 8,6 milhões (-18,9%) em termos homólogos, refletindo a redução do chargeable weight e a diminuição das yields no período.
No 4T25, os custos operacionais recorrentes totalizaram EUR 1 016 milhões, representando um aumento de 1,7% (+EUR 16,7 milhões) face ao 4T24. Este crescimento foi principalmente impulsionado pelo aumento dos custos com combustível (+EUR 6,5 milhões ou +2,7%), e pelos custos de manutenção de aeronaves (+EUR 5,4 milhões ou +29,6%) e de materiais consumidos (+EUR 13,6 milhões ou +25,0%), refletindo em ambos os casos o aumento do preço dos materiais, aplicados na frota da TAP e em serviços externos de manutenção, respetivamente. O CASK total de custos operacionais recorrentes diminuiu 1,8% (-EUR 0,14 cêntimos) face ao 4T24, fixando se em EUR 7,46 cêntimos. Excluindo os custos com combustível, o CASK recorrente diminuiu 2,1% (-EUR 0,12 cêntimos), atingindo EUR 5,67 cêntimos.
O EBITDA recorrente atingiu EUR 151 milhões no 4T25, com uma margem de 14,6%, registando um aumento de EUR 31,7 milhões face ao 4T24. O EBIT recorrente totalizou EUR 16,2 milhões, com uma margem de 1,6%, melhorando EUR 20,2 milhões face ao período homólogo. Considerando itens não recorrentes, o EBIT totalizou EUR 36,9 milhões.
O resultado líquido atingiu EUR -51,0 milhões no 4T25, substancialmente impactado por um efeito externo, nomeadamente pelo ajuste no IRC, no valor de EUR 42,0 milhões, decorrente da reavaliação dos ativos por impostos diferidos após a redução progressiva da taxa de IRC introduzida pela Lei n.º 64/2025. Excluindo este efeito, o resultado líquido teria sido EUR -9,1 milhões, representando uma melhoria de EUR 74,9 milhões face ao 4T24.



