Neste mês, o Governo de São Paulo lançou uma publicação inédita com objetivo de ampliar o olhar sobre os povos indígenas e a diversidade cultural: o Guia Turístico das Aldeias Indígenas. O material reúne informações sobre 16 aldeias indígenas de diferentes etnias distribuídas por várias regiões do estado. Desenvolvido pela Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP) em parceria com a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado, o material nasce com o propósito de valorizar os povos nativos do nosso país e incentivar um modelo de turismo mais consciente, baseado no respeito às tradições e no protagonismo das comunidades.
A publicação propõe uma verdadeira imersão cultural, apresentando experiências que aproximam visitantes do modo de vida e dos saberes ancestrais. Entre as vivências estão trilhas guiadas, apresentações de canto e dança, pintura corporal, gastronomia tradicional, contação de histórias, exposição de objetos, além de práticas com plantas medicinais, agricultura e jogos típicos. As regiões de Registro, da Baixada Santista e do Litoral Norte estão presentes no Guia. Confira!
Valorização da cultura indígena
Em Peruíbe, na Baixada Santista, há a Aldeia Tabaçu Reko Ypy, um projeto de vida coletivo que fortalece o modo de ser Tupi-Guarani. Seu nome significa “o renascer da grande aldeia”, símbolo de retomada cultural e espiritual. Desde 2012, as lideranças lutam para manter vivas as tradições e o território. Com a revitalização das práticas do cotidiano indígena como parte da identidade, há o cuidado do Tataruçu (bambu nativo da Mata Atlântica), da Ygwa (indica aquele que é habitante ou descendente de determinado lugar), do Okara (bagaço de soja ou polpa de soja) e dos espaços sagrados, valorizando o plantio, os cantos, as danças e a língua ancestral.
No local, cada pessoa assume sua responsabilidade para fortalecer o coletivo. Além disso, a educação diferenciada forma crianças e jovens como guardiões da Mãe Terra. Na Aldeia Tabaçu Reko Ypy, são produzidos e comercializados cestos, colares, artefatos de guerreiro, cosméticos, artesanato de utilidade doméstica e esculturas, entre outros.
Produção de artesanato e preservação dos costumes
Na região de Registro, existem duas aldeias: a Aldeia Djaiko Aty, em Miracatu, e a Aldeia Pindo-ty, em em Pariquera-Açu. A Aldeia Djaiko Aty, de Miracatu, que significa “lugar onde vivemos”, é, de fato, o espaço no qual se vive em constante luta pelo fortalecimento da cultura, para que seja possível transmiti-la às crianças e jovens. O objetivo é que tenham orgulho, respeito, perseverança e esperança por um futuro melhor, valorizando o jeito de ser Tupi-Guarani.
Atualmente, o território está em processo de demarcação, mas a comunidade se instalou no local desde setembro de 2004. Antes, as famílias viviam na aldeia Itaoca, no litoral de São Paulo, mas se mudaram para esta região porque viviam parentes da cacique Aparecida (Nambi), que, no passado, habitavam o Vale do Ribeira. A partir dessas memórias, foram em busca do território e encontraram o local que hoje é conhecido como Djaiko Aty. Hoje, a comunidade é composta por 13 famílias, totalizando cerca de 50 pessoas. A subsistência da Aldeia acontece por meio da venda de artesanato em feiras, praias e eventos. Além disso, há a roça comunitária, onde são cultivados milho, mandioca, batata-doce, inhame e feijão, destinados exclusivamente para o consumo da própria comunidade.
Já em Pariquera-Açu, há a Aldeia Pindo-ty, uma comunidade Guarani com mais de duas décadas de existência. A cultura local se expressa por meio do canto, da dança e da preservação da língua materna, além da produção artesanal em madeira e outros elementos tradicionais. Na Aldeia, Pindo-ty, são produzidos esculturas e bichos de madeira, além de arco, flecha e colar.
Território que existe há 200 anos, trilhas ecológicas e visitas guiadas
No Litoral Norte, os viajantes podem conhecer a Terra Indígena Rio Silveira, em São Sebastião, e a Aldeia Ywyty Guaçu, em Ubatuba. A Terra Indígena Rio Silveira, em São Sebastião, existe há 200 anos e promove atividades com turismo há 10 anos. Ao todo, são 220 famílias Tupi-Guarani, preservando a cultura, tradição, religião e saberes tradicionais. Na Terra Indígena Rio Silveira, o trabalho envolve a criação de aves e peixes; roça familiar; e reflorestamento da mata com palmitos nativos e plantas ornamentais. O local conta com comida típica, viveiros de mudas, trilhas para cachoeira, rios, piscinas naturais e preservação da Mata Atlântica. Além disso, há produção de artesanato, como arco e flechas, cestos e colares; e pinturas corporais.
Em Ubatuba, há a Aldeia Ywyty Guaçu, fundada em 1999 pelo cacique Antônio Awá. A retomada do território teve como principal objetivo a preservação do local e a manutenção da cultura Tupi Guarani e Guarani Mbya. Hoje, a comunidade está consolidada, contando com uma escola estadual, um centro cultural, posto de saúde e um fácil acesso, o que contribui também para o turismo. A aldeia também participa do Programa Guardiões da Floresta, uma iniciativa da Fundação Florestal em parceria com a Coordenadoria de Políticas para os Povos Indígenas do Estado de São Paulo (CPPI) da Secretaria da Justiça e Cidadania.
Além disso, a Aldeia Ywyty Guaçu desenvolve um importante trabalho com agrofloresta (forma de uso da terra que integra árvores, florestais ou frutíferas, com cultivos agrícolas e/ou pecuária, simulando o funcionamento de uma floresta natural), por meio de trilhas ecológicas. A comunidade ainda conta com o Pico do Corcovado, onde há indígenas credenciados pelo Parque Estadual da Serra do Mar para realizar o acompanhamento dos visitantes. Na Aldeia, são produzidos artesanatos e artefatos indígenas, com madeira, palhas e barro, além de serem realizadas apresentações culturais.



