Estudo elaborado pela ANAV – Associação Nacional das Agências de Viagens e pela Universidade Europeia, baseado em respostas de 122 agências de viagens portuguesas, recolhidas entre março e abril de 2026, aponta que o mercado das viagens organizadas em Portugal está fortemente segmentado por idade e perfil do viajante, com as famílias a assumirem um papel dominante na procura.
Concluiu-se, por outro lado, que a segurança do destino passou de fator diferenciador a condição essencial na decisão de compra de uma viagem. Neste sentido, a segurança dos destinos assume-se como um fator transversal, com 94% das agências a reportarem preferência por destinos considerados seguros.
Os dados confirmam ainda a existência de dois grandes perfis de consumo, ou seja, famílias com filhos, focadas em destinos de sol e praia, com forte sensibilidade ao preço e elevada procura de flexibilidade, e casais e seniores, que privilegiam confiança, conveniência e experiências culturais diferenciadas.
O documento revela, por outro lado, que 71,3% dos clientes reservam entre três a seis meses de antecedência, enquanto o gasto médio situa-se maioritariamente entre 1.201€ e 2.000€ por pessoa, e as famílias são o segmento que mais valoriza condições de reserva flexíveis.
A análise evidencia diferenças claras entre gerações: Entre os 35 e os 49 anos, predomina a procura por relação qualidade/preço; Entre os 50 e os 64 anos, ganham importância fatores como confiança na agência e conveniência da viagem; e segmento senior distingue-se pela procura de cultura, patrimônio e experiências especializadas.
Miguel Quintas, presidente da ANAV, comenta os dados que “reforçam a necessidade de segmentação estratégica por parte das agências de viagens, com propostas de valor diferenciadas e ajustadas a cada perfil de cliente”, sublinhando que “o mercado não é homogêneo e exige respostas específicas”, daí que “a personalização da oferta e da comunicação será determinante para a competitividade das agências no verão de 2026”.
Já Cláudia Gouveia, professora de Turismo da Universidade Europeia, considera que os resultados evidenciam padrões bem definidos no perfil dos turistas: “O comportamento do consumidor turístico varia de forma significativa em função da idade e do perfil do viajante”. Neste sentido, “esta leitura é particularmente relevante para as agências de viagens, porque permite compreender não apenas os destinos mais procurados, mas também os critérios que orientam a decisão de compra, como segurança, flexibilidade, confiança, conveniência e relação qualidade/preço”.



