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Turismo de Minas Gerais tem prejuízo de R$ 28,21 bilhões durante a pandemia

CRISE

Com a pandemia de Covid-19, o setor de turismo amarga um prejuízo de R$ 28,21 bilhões entre março de 2020 e abril de 2021 em Minas Gerais, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Mesmo com a incerteza sobre os rumos da pandemia, o governo do Estado projeta uma recuperação do setor até 2023.

O prejuízo do setor em Minas pode ser ainda maior: os dados do governo do Estado abrangem até março deste ano, mas uma nova projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada nesta semana, com inclusão de abril, mostra que, nacionalmente, a perda do turismo em todo o Brasil passou de quase R$313 bilhões para R$341,1 bilhões em um mês, considerando o intervalo de março de 2020 a abril de 2021. 


“O turismo representa 12,4% das empresas e 7,9% dos trabalhadores formais no Estado. O prejuízo tem impacto em toda a cadeia de bares, restaurantes, agências de viagens, guias de turismo etc. Temos toda uma cadeia ligada ao turismo, como os espaços culturais e de eventos, que, querendo ou não, afetam outros setores, porque é uma cadeia de reverberação. Uma farmácia, por exemplo, pode ser afetada pelo fluxo do turismo”, detalha a subsecretária estadual de Turismo, Milena Pedrosa, citando os dados do setor anteriores à pandemia. 

Na tentativa de alavancar o segmento, a Secretaria de Estado de Cultura e de Turismo (Secult) lançou, nesta semana, o programa Reviva Turismo, que investirá R$17,5 milhões no segmento no Estado, especialmente com publicidade, para a retomada gradual das atividades turísticas em Minas. Em uma cenário de perda de quase 35 mil empregos formais no turismo mineiro em 2020, o plano estadual prevê o surgimento de 100 mil novos postos até 2022. 

“As tendências nos mostram que vamos ter um super boom no turismo quando as vacinas estiverem mais avançadas. Minas desponta cada vez mais como destino, com as tendências de turismo de aventura e de natureza”, conclui a subsecretária. 

O Complexo Santuário do Caraça, em Catas Altas, na região Central do Estado, também aguarda dias melhores no próximo ano, após demitir 30% dos funcionários no último mês, em meio a perdas na casa de R$2 milhões em 2020. “Tivemos uma queda de receita em torno de 60%. Nos dias de semana, tínhamos excursões de escolas e recebíamos de 150 a 200 visitantes por dia. Nos finais de semana, eram 500 por dia, fora os hóspedes das pousadas. A partir da última semana de maio, vamos receber hóspedes só aos finais de semana”, diz o gerente geral do complexo, Mario Mol. Com as contas apertadas, ele prevê dificuldades na preservação da Reserva Particular do Patrimônio Natural do Caraça. “Hoje, tenho um só guarda que roda 10 mil hectares”, exemplifica. 

Em BH, o dono de uma pequena agência de viagens em Belo Horizonte, Wallace Fernandes, 50, tinha uma equipe fixa de três funcionários antes da pandemia, mas agora todos trabalham apenas sob demanda — que teve uma redução de quase 90%, segundo ele. Para 2021, ele segue com esperança. “Quem sobreviver vai vender muito, porque as pessoas ligam querendo viajar, mas ainda estão com medo, temos uma demanda reprimida. Eu me mantive aberto porque tenho sede própria, mas sei que agências que sobrevivem de aluguel estão desoladas. Em novembro de 2020, quando os números da pandemia abaixaram, começamos a vender viagens para 2021, mas foram canceladas quando os números voltaram a subir”, diz.

Cerca de metade dos hotéis fecharam ou suspenderam atividades, estima associação

*Ainda sem dados oficiais do governo do Estado, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG) estima que cerca de 50% dos hotéis e similares em Minas fecharam as portas definitivamente ou suspenderam as atividades durante a pandemia. “Conheço hotéis que mantiveram apenas segurança e pessoal de manutenção, mas não estão funcionando com hóspedes”, ilustra o presidente da entidade, Guilherme Sanson. 

Na perspectiva de Sanson, a recuperação do rendimento e ocupação habituais da hotelaria mineira tem chances de ocorrer apenas em 2023. Em Belo Horizonte, onde a hotelaria costuma ser animada pelo setor de eventos, também em crise, em março deste ano a ocupação e receita dos hotéis atingiram os piores índices da década. 

A ocupação dos hotéis da capital ficou em torno de 27,8% — no mesmo período de 2020, no primeiro mês com decretos para o controle da pandemia na capital, alcançava 38,9%. A média de ocupação em 2020 foi de 32,7%, quase metade da média de 2019.* 

A esperança do governo estadual é consolidar BH, nos próximos anos, como uma atração turística para além dos negócios, focando ações publicitárias no Circuito Liberdade e na culinária mineira — a Secult trabalha na oficialização da cozinha do Estado como patrimônio cultural imaterial reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

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