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Presidente da APAVT diz que TAP tem longo caminho a trilhar ainda

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) viu com satisfação o aval de Bruxelas à reestruturação da TAP, pois lembra que o país “precisa” da companhia, ressalvando que “nada está conseguido”, pois falta agora “trilhar caminho”.

“Foi uma boa notícia. É uma notícia que dá tempo à TAP e a TAP precisa de tempo para trilhar um caminho e para definir um rumo e o país precisa da TAP”, disse o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, à Lusa, lembrando que é conhecida esta posição da associação, atualmente e, “em certa medida, fora de moda, difícil de sustentar, pouco sexy”.

Mas, sustenta, a APAVT “sabe bem o que é que representa o turismo para a economia portuguesa”, para o crescimento e “o que é necessário para a economia portuguesa crescer”.

“Sei também muito bem qual é a necessidade e a dependência que o turismo tem da própria TAP”, reforçou.

A Comissão Europeia informou na semana passada que aprovou o plano de reestruturação da TAP e a ajuda estatal de 2.550 milhões de euros, impondo que a companhia aérea disponibilize até 18 ‘slots’ por dia no aeroporto de Lisboa.

Ainda assim, Pedro Costa Ferreira diz que “nada está conseguido, nada está realizado”, mas que “a notícia foi boa”, pois permite que “os dirigentes da TAP, os trabalhadores da TAP e os ‘stakeholders’ do turismo em geral possam trabalhar em conjunto para mudar a norma, para colocar a TAP, uma vez mais, ao serviço da economia portuguesa e, para uma vez, colocar também a TAP no trilho dos resultados positivos”.

O responsável acrescentou que a “boa notícia”, para além de o ser, “sobretudo para a TAP, para o turismo português e para a economia nacional”, é também, “porque não é despiciente”, “para os trabalhadores que estão na TAP, que são um número significativo”.

Já sobre se concorda com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que o aval de Bruxelas, nomeadamente a autorização da Comissão Europeia para que a frota da TAP possa chegar aos 99 aviões até ao fim do plano de reestruturação, mostra que a companhia não vai ser “TAPzinha”, Pedro Costa Ferreira afirma: “Estou de acordo que foram lhe dados os instrumentos para não ser uma ‘TAPzinha’, falta-lhe ter êxito”.

Pedro Costa Ferreira diz “que melhor era quase impossível”. Melhor mesmo, acrescenta, “é a TAP agora pegar nesta notícia e transformá-la em resultados positivos e num caminho de longo prazo e que seja coerente e que seja sólido”.

Em 21 de dezembro, o ministro disse que os 99 aviões foi o valor que o Governo propôs na proposta inicial do plano de reestruturação.

“Ao contrário do que se possa pensar, em Portugal não vai dar uma ‘TAPzinha’. O ponto a ponto em Lisboa é sustentado pelo ‘hub’. Quando se diz que a TAP não serve o turismo, porque o Algarve não tem TAP cometem-se dois erros grosseiros: o primeiro, muito grosseiro, é achar que o turismo em Portugal ‘hoje por hoje’ é o Algarve. O Algarve é um excelente destino turístico, mas o turismo em Portugal é muito mais do que o Algarve e, sobretudo, o crescimento futuro do turismo em Portugal passa por muitos sítios e muito pouco pelo Algarve onde as taxas de ocupação estão muito próximas dos 100% na época alta. E, portanto, o facto de o Algarve não ter TAP não tem nada a ver com o facto de a TAP não servir o turismo em Portugal. Este é o primeiro ponto”, sublinhou o responsável.

Já o segundo ponto para a APAVT é que “o que existe em termos de posição da TAP no Algarve é exatamente o seria a posição da TAP em Lisboa” se não houvesse um ‘hub’.

“A TAP não está no Algarve porque não queira estar no Algarve. A TAP não está no Algarve porque como não tem o ‘hub’ no Algarve não consegue competir no ponto a ponto com as ‘low cost’, coisa que consegue em Lisboa. Portanto, o que teríamos era um abandono total das rotas de longo curso, em nosso entendimento, e com isso o que sofreria era o interior do país, era o Alentejo, era o centro de Portugal, era o Douro, eram as estadias mais longas, eram os mercados turísticos mais ricos e com maior capacidade de gasto turístico”, concluiu.

O plano aprovado estabelece ainda “um pacote de medidas para racionalizar as operações da TAP e reduzir os custos”, nomeadamente a divisão de atividades entre, por um lado, as da TAP Air Portugal e da Portugália (que serão apoiadas e reestruturadas), e por outro a alienação de “ativos não essenciais” como filiais em atividades adjacentes de manutenção (no Brasil) e restauração e assistência em terra (que é prestada pela Groundforce)”.

O Governo entregou à Comissão Europeia, há um ano, o plano de reestruturação da TAP, tendo, entretanto, implementado medidas como a redução de trabalhadores.

*[Lusa]

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